Veronika Fukunishi

Determinação

Meu nome é Veronika Naomi Fukunishi, tenho 26 anos, moro em Maringá, Paraná. Morei em vários lugares antes de chegar onde estou eu já fui cidadã de Curitiba, do Japão, de Miami (Flórida) e até de Pulaski (Tennessee). Hoje em dia, eu atuo na Seleção Brasileira de Softbol Categoria Adulta e também no time de Nikkei de Curitiba, minha cidade natal.

Minha história, de Softbol, foi um pouco diferente comparando com as outras meninas que já fizeram o depoimento. Comecei a treinar com mais ou menos uns 11 anos de idade, gordinha e preguiçosa. Meus pais sempre insistiam para eu treinar, mas a única coisa que eu pensava era brincar na areia e na piscina. Literalmente eu era a preguiça em pessoa.

Logo percebi que todas as minhas amigas, que brincavam comigo, estavam treinando softbol, e minha única opção, é claro, era jogar Softbol junto com elas. Eu não queria, mas quando você é criança, você faz de tudo para poder ficar junto com o seu “grupinho”. Sempre pensava, “é só um treino pra ficar jogando a bolinha”, “vou ficar aqui pegando o taco para rebater e tchau”.

Mas, é claro que eu estava enganada, tinha que rebater 100 bolas todo o treino, depois tinha que treinar defesa, e logo depois vinha à preparação física. Jesus do céu! Aquele grito do técnico: “mais 5 voltas no campo”, já me dava uma dor de barriga ou de cabeça para evitar a fadiga.

Eu me recordo de um fato muito engraçado que aconteceu. Depois de dez mil voltas, eu não estava aguentando mais a correr, minha única opção era cair e deitar no chão toda esparramada para fingir que estava desmaiando, porque eu não aguentava mais a correr. E não é que deu certo? Meu pai saiu correndo me socorrer, e só lembro dele me carregando. Eu deveria ser atriz, mas segui a minha vida no caminho do Softbol. Depois de tudo, só fui contar para o meu pai o que realmente aconteceu no ano passado. Claro, que ele não ficou tão surpreso com a filha que tem.

Depois da minha primeira cena como atriz, comecei aos poucos gostando de softbol. Até aumentei a minha carga horária de treinamento. Depois de tudo isso, surgiu aquele meu espírito de competidor, sempre querendo mais e mais para ser a melhor. Não foi fácil essa caminhada, porque comecei um pouco mais tarde do que as outras meninas. Tinha o treino normal, e logo depois tinha o extra, eu já chorava por dentro, porque era o meu pai, Roberto Fukunishi passava todos os exercícios. Cheguei até a trincar a clavícula, e mandava eu ficar correndo com aquele gesso no corpo inteiro e rebater com um braço. Ele me perguntava se eu queria fazer a diferença ou não dentro do campo. Claro que chorava todos os treinos, queria desistir todos os dias, mas do mesmo jeito agradeço meu pai de coração por nunca ter desistido de mim, do time. Só assim pra você aprender que o softbol é um esporte de trabalho em equipe, humildade, honestidade, coragem, e principalmente a esperança. Esperança.

Seguindo a minha carreira de jogadora, em 2009 surgiu uma oportunidade de ir para os Estados Unidos para o Miami Dade College, jogar junto com a Vivian Morimoto, Simone Miyahira, e Simone Suetsugu. As pioneiras do Softbol Brasileiro nos Estados Unidos. Não pensei duas vezes, perguntei para o meu pai, se tínhamos condições e ele falou que sim. Foi uma correria atrás de documentação, passaporte, visto, consulado. E depois de três meses, a menina gordinha, preguiçosa, e não se esqueçam do meu dom como atriz, estava embarcando para os Estados Unidos.

Foram 5 anos de estudos e softbol no exterior. Eu lembro que já queria ter desistido nos primeiros meses que tinha chegado em Miami. Ligava chorando para os meus pais, pedindo para voltar, mas uma frase que o meu pai sempre dizia: “Se fosse fácil, todo mundo faria! Seja forte e determinada.” E ele estava certo. Eu simplesmente poderia ter voltado para Brasil, desistido de tudo e nunca ter ganhado o NJCAA National Championship, nem se quer recebido 3 vezes o prêmio de receptora do ano da Louisville Slugger/NFC All-American, e tantos outros prêmios e experiências que proporcionaram ao longo da minha experiência nos Estados Unidos. Faria tudo de novo? Com certeza, sem dúvida nenhuma! E não mudaria nada!

Passei por experiências maravilhosas, inesquecíveis! Eu até fui em um show da Rihanna em um cruzeiro! Quem iria imaginar! Por outro lado, aprendi algumas outras lições que eu nunca aprenderia no Brasil, um dos exemplos é a discriminação territorial, “Você é do Brasil? Tem certeza? Lá só tem futebol não tem? Você tem cara de chinesa, será que você sabe mesmo jogar softbol?” Esses tipos de comentários eram frequentes no dia-a-dia, mas sabia que isso era apenas questão de tempo. “Trabalhe duro e em silêncio. Deixe que seu sucesso faça o barulho.” E fiz MUUUUITO BARULHO! Principalmente junto com a Vivian Morimoto, literalmente!

Hoje em dia, continuo na seleção Adulta e no time de Nikkei de Curitiba. Continuo treinando, e a minha preparação física é feita no Crossfit Maringá e Pilates Daniele Kurata, o único problema é que se eu cair no chão, deitar, e fingir que desmaiei, vou com certeza ter mais de 100.000 visualizações no YouTube.

Enfim, contei um pouquinho da minha história, e é claro, teve muita gente envolvida para toda a minha conquista, de chegar até onde eu cheguei! Meus amigos, minhas colegas de time, técnicos, auxiliares, médicos, físio, tudo! Até tive Haters (brincadeira! Haha) E a minha família! Por que sem eles, nada disso teria acontecido. Agradeço a vocês, que contribuíram de alguma forma, compreendendo minhas ausências e incentivando-me a prosseguir, com o sorriso amigo e a palavra de carinho, meu sincero obrigada!

Sem esquecer, obrigada Samy! Obrigada pela oportunidade de contar a minha estória a todos!

(fotos: arquivo pessoal da jogadora)

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