Shantau Stoffel

Meu nome é Shantau Stoffel, tenho 25 anos, sou de Farroupilha-RS e moro em Florianópolis-SC desde pequena, onde treino no Floripa Ichiban. Aceitei com entusiasmo o desafio de ser a primeira mulher em Santa Catariana a treinar de catcher no softbol, jogar beisebol e ser federada.

Nunca fui de praticar muitos esportes, mas minha história com o softbol me proporcionou novos desafios. A Equipe Floripa Ichiban existe desde 2004, mas só descobri o esporte com 21 anos em 2012 pelo meu namorado, Willian Suguino, que jogava há alguns anos e começou a me “abandonar” aos sábados de manhã para ir treinar. Claro que fiquei curiosa e comecei a frequentar os treinos pra ver o que ele fazia. Rapidamente me apaixonei pelo clima de amizade da equipe e torneios, e comecei a treinar também. A vontade de fazer parte do time, de melhorar e poder ser importante nos jogos é o que sempre me motivou.

Muitos me perguntam se me senti deslocada por ser a única mulher da equipe, e a resposta é: com certeza!, mas todos me receberam muito bem, e sempre estiveram dispostos a me ensinar. Ainda é normal receber um tratamento diferente por ser mulher, principalmente por estar entre tantos homens, mas sempre levei essa situação com tranquilidade, e logo nos tornamos grandes amigos e parceiros de equipe. Hoje não consigo me ver longe deles. Atualmente outras meninas frequentam os treinos, porém ainda não temos número para formar um time feminino.

Bem, voltando a história… Depois de alguns meses entendendo o que era softbol eu tomei uma decisão que hoje defino como um tanto ousada: ser catcher! O resumo da história absurda da minha escolha é o seguinte: eu não gosto de correr (ainda não consegui adquirir esse talento), junto a isso, eu morria de medo de levar bolada na cara (imagina a situação), então eu vi aquele equipamento todo e pensei “obviamente vou me proteger, é de catcher que eu quero jogar”. Logo percebi as dificuldades dos treinos e exigências da posição, mas já era tarde, eu fui enfeitiçada pelo sofrimento e já estava viciada!

No início, eu não conseguia arremessar a bola até o pitcher (quem dirá pra segunda base), a gente ria muito disso. Só que depois que a gente vicia não da mais para parar (risos) e comecei uma intensa caminhada de treinos. Conto com a ajuda de muitas pessoas em Florianópolis, Ralph, Tomita, Itaya e meus parceiros de treinos noturnos do Ichiban durante a semana (Willian, Romero e Lucão), meu preparador físico João Nolasco, e pessoas de outros times, como a Veronika Fukunishi e seu pai Roberto, o Sensei Shoki, Marcelo Yanaga, Barbara Woll, entre outros que me dão dicas valiosas. Sempre vejo vídeos de treinos e leio algumas apostilas sobre estratégias e posicionamento, mas nada substitui a presença de alguém te observando e orientando. Obrigada a todos!!!

Em 2018, decidi me federar, e isso envolve minha história com o Central Glória (CG) de Curitiba. Conheci o CG e o Sensei Shoki em uma clínica de softbol em Florianópolis, e a cada vez que nos encontrávamos eu voltava cheia de novidades para treinar. Algumas vezes fui até Curitiba só para participar dos treinos do Sensei. Ele sempre me ajudou a melhorar, e ainda é um grande exemplo pra mim. Em 2016, tive a oportunidade de ir assistir os jogos do CG no Campeonato Brasileiro de Softbol Feminino sob o comando do Sensei Shoki, quando ficaram em segundo lugar. Foi tão emocionante estar presente nesse momento que o que eu mais queria era poder fazer parte disso. Em 2017, o CG me deu um presente de aniversário, jogar o Torneio do Nippon Blue Jays com elas e fomos campeãs. Por isso, resolvi me federar pelo CG e me preparar para jogar pela primeira vez o Taça Brasil e Brasileiro com elas. Com certeza serão dois grandes momentos, estou super ansiosa e animada!

Sempre que posso jogo em outros times, e um deles é o time misto da UFSC de Araranguá. Com eles participo todos os anos do Tunicamps e com as meninas que treinam lá, integrei o primeiro time feminino de Santa Catarina no Campeonato Catarinense de Softbol. Em Florianópolis temos planos de começar um time feminino ainda em 2018, o Márcio Umeda se dispôs a treinar a equipe e se tudo der certo será nosso técnico. Além disso, gosto de participar do crescimento como um todo dos times de softbol e beisebol em SC. Outros seis times nasceram nesses cinco anos em que treino em Florianópolis, e sempre estamos em contato para trocar experiências. Também pretendemos um dia iniciar um time infantil, e se possível farei parte da equipe de apoio.

Meu maior desafio é correr atrás (do prejuízo) de uma vida inteira sem treinar, então aproveito toda a oportunidade de aprender alguma coisa nova! Só posso dizer que o softbol mudou minha vida, e quero continuar jogando até não poder mais. Já que não o conheci quando criança, vou aproveitar ao máximo agora, e continuar divulgando esse esporte, que apesar de competitivo, cria grandes amizades!

(Fotos: Arquivo pessoal da jogadora)

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