Samira Tanaka

Projeto Histórias - Samira TanakaOi pessoal! Tudo bem?

Meu nome é Samira Mari Tanaka e tenho 26 anos. A minha história com o soft na verdade começou no beisebol, mas na época eu nem imaginava onde iria chegar. Quando eu tinha 8 anos de idade já sabia que gostava bastante de bola e foi brincando de futebol nas ruas de Bastos (sim, sou da Capital do Ovo! Hahaha) que a tia Terezinha Asanome me viu toda moleca no meio dos meninos e convidou a minha mãe pra me levar ao campo de beisebol do Bastos Beisebol Clube.

Projeto Histórias - Samira TanakaChegando lá fiquei bem tímida. Só via moleque pra lá e pra cá. Grudei na tela de fora do campinho do T-bol e fiquei ali só observando. Pelo menos a técnica era mulher, a tia Irene. Ufa! Foi o Faú, auxiliar técnico, que veio me puxar pra fazer um catch-ball. Eu já o conhecia das ruas de Bastos do começo da história, então eu fui… kkk lembro que continuei bem tímida.

Projeto Histórias - Samira TanakaAndei até o bench tímida, peguei um globo que me ofereceram tímida e fui pro cantinho do campo com o Faú, tímida. Ele me posicionou e eu perguntei, sem muita vontade de estar ali, “o que eu faço agora?” E ele disse “estica o braço com o globo assim (ajustando meu braço), que eu vou jogar a bola ai!” No primeiro arremesso dele, béeee! Errou meu globo. Eu ri por dentro e pensei “nossa, esse beisebol aqui não deve ser legal…” e fiquei lá igual uma estátua esperando ele pegar a bola no chão. No segundo arremesso… ele acertou! E uma sensação nova nasceu dentro de mim! Aquela bola arremessada diretamente no meu globo foi paixão ao primeiro catch!

Projeto Histórias - Samira TanakaJoguei beisebol com os meninos de Bastos dos 8 aos 12 anos. Aos finais de semana, não faltava a nenhum treino! Torneios e campeonatos então, nem pensar… Foi uma época muito boa, eu amava esse esporte! As tias de Bastos me “protegiam” dos meninos. Outras tias, às vezes, me olhavam estranho dentro do banheiro feminino por me confundir com um menino, só porque na época que eu usava o cabelo curtinho. O mais legal era tirar strikeout dos meninos dos outros times.

Projeto Histórias - Samira TanakaNos jogos, quando o técnico adversário mandava os meninos virem pra frente por eu ser menina, me sentia desafiada a bater atrás do gaia (outfielder). Até que, no meu último ano de beisebol, fui convocada para a Seleção Brasileira que disputaria o Nanshiki no Japão.

Minha mãe ficou bem incomodada com a ideia de eu ir atéeee o Japão sozinha e tentou: “Sá, não é melhor você esperar e tentar uma seleção no softbol?” E eu decidida respondi: “Mãe, mas seleção é sonho de todos os atletas!”

Projeto Histórias - Samira TanakaForam muitos aprendizados nesse mundo do beisebol, desde respeito ao próximo até o espírito de equipe. Aos senseis do Beisebol: “domo arigatou gozaimashita, sayonara bumbum!” (Kkkk esse era o agradecimento do T-bol de Bastos todo final de treino). Obrigada ao Bastos Beisebol Clube que me acolheu desde pequenininha!

Projeto Histórias - Samira TanakaBom, chegamos a parte do Softbol na minha vida! Como jogávamos muitos amistosos com o Nikkey Clube de Marília os tios do beisebol de Marília me conheciam e me convidaram pra treinar soft com as meninas. Desculpem, meninas. Meu primeiro dia não foi tão marcante quanto o do beisebol, mas eu lembro que eu estava… tímida! Kkk quando comecei no soft tinha 11 anos. Mas, como ainda jogava beisebol, não podia treinar todos os finais de semana em Marília, então só participava dos campeonatos.

Projeto Histórias - Samira TanakaTerminando a Categoria Infantil no Beisebol, tive que jogar só Softbol, e comecei a treinar quase todos os finais de semana em Marília. Minhas amigas de infância de Bastos me azucrinam até hoje, porque deixei de participar de muitas festinhas, muitos rolês, por estar sempre ausente nos fins de semana. Mas eu sempre amei vocês por igual, migas! :)

Projeto Histórias - Samira TanakaDepois da escola nas sextas-feiras, meus pais me levavam até Tupã (a uma distância de 30 km de Bastos) e de lá, ia num ônibus circular que demorava 2 horas até Marília (uns 60 km de Tupã). Chegava lá e ia direto para o campo! Durante os treinos de sexta, estávamos sempre combinando o rolê do dia: shopping com boliche ou cinema ou mc donalds e sorvete? Às vezes tinham todas as opções! E ai eu sempre dormia na casa de alguma das meninas do time.

Muito obrigada às amigas e aos tios que me acolheram com tanto carinho! Além disso, como só tinha um ônibus para voltar para casa (às 17:40), ficava de olho no relógio durante os treinos de sábado! E essa foi minha rotina até o terceirão.

Projeto Histórias - Samira TanakaDepois disso, eu pensei em cursar uma faculdade em Marília para poder treinar todos os dias possíveis. Esse plano não deu muito certo, porque acabei passando no vestibular da Universidade Estadual de Maringá e fui para lá cursar Ciências Contábeis. Fiquei por lá por um ano, até me mudar para Miami, nos EUA, para jogar softbol no College (que vou explicar no texto mais pra frente hehe). Já hoje, pós-EUA, tenho uma unidade da minha escola de Soroban lá em Marília e continuo jogando pelo Nikkey. Muito Obrigada ao Nikkey Clube de Marília, a todos os diretores, tenho um orgulho enorme de fazer parte dessa família!

Projeto Histórias - Samira TanakaEm 2007, com 15 anos, fui convocada pra minha primeira seleção de soft! Era um Sul-americano Sub17 na Venezuela. Se eu não me engano, na época não estava tendo seleções de base. Só adulto. Então quando saiu esse Sub17, todas eram novatas de seleção. Teve muito treino, muita alegria, muito auê! Todas preparadíssimas pra aquela primeira viagem de seleção que seria inesquecível! Quando 2 dias antes da partida, de malas prontas e ansiedades a mil, recebemos a notícia de que o Sul-americano havia sido cancelado.

Não sei para outras meninas, mas naquele dia o meu chão desabou… eu chorei muito e minha mala de viagem, do jeito que estava, empurrei pra debaixo da cama. Eu não queria enfrentar aquela dor de desfazer as malas sem nem tê-la usado. Dois meses depois organizaram uma viagem para o Peru com alguns jogos amistosos. Passamos uma semana no AELU e foi uma experiência incrível. #OBRIGADAAELU

Projeto Histórias - Samira TanakaDemos clínicas para as meninas e jogamos contra alguns times do local, eu acho. Não me lembro bem dessa parte do soft, porque o que mais fizemos nessa viagem foi jogar futebol no campo de grama sintética que tinha do lado do nosso alojamento!! Kkk no primeiro dia lá no Peru, fizemos uma vaquinha e compramos uma bola de futebol no shopping. No final da viagem, faríamos um sorteio pra ver quem ficaria com a bola. As meninas desse time eram tão fofas, mas tão fofas, que tinham combinado que me dariam a bola de presente. Acho que porque eu era a única fanática por futebol. Quando ganhei a bola, chorei de alegria! Eu nunca vou me esquecer disso, meninas! Obrigada!!

Projeto Histórias - Samira TanakaNo ano seguinte, ai sim veio a primeira participação num Sul-americano. E ainda campeãs! Campeãs Sul-americanas Sub17 em cima das donas da casa, a Venezuela! Foi uma loucura jogar com aquele estádio lotado! Acho que foi a primeira vez que senti que o Softbol tinha tanto prestígio! Apesar do hotel que nos hospedamos estar em reforma, baratas aparecerem no nosso quarto e banheiro, banho de água gelada e terem nos oferecido língua de boi num jantar, foi tudo uma delícia! Amizades novas, experiência nova, título novo!

Em 2010, tivemos um Sul-americano Sub18 na Argentina e um Pan-americano Sub18 na Colômbia, que era classificatório para o Mundial Sub19, na África do Sul em 2011. Conquistamos o 2º lugar na Argentina e o suado 4º lugar no Pan-americano (com direito a vitória sobre o Canadá!) que nos classificou para a África do Sul.

Projeto Histórias - Samira TanakaNesse mundial, alcançamos o oitavo lugar. Um feito inédito para as seleções de base do Brasil!! Entre tantos campeonatos, muitas histórias pra contar dentro e fora de campo, especialmente essas: durante um treino do Sul-americano, um peixinho no home me rendeu dois dedos quebrados em plena época de vestibular (algo como segunda fase da fuvest hahaha), e pra fechar com chave de ouro, durante o campeonato brasileiro adulto, em 2010, a desatenção dentro de campo atraiu a bola na minha cara, que resultou em uma fratura que precisou de cirurgia para colocar tudo no lugar kkkk.

Projeto Histórias - Samira TanakaNo finalzinho de 2010, aconteceu uma virada na minha vida com o softbol. Assinei um contrato com uma faculdade dos Estados Unidos, o Miami Dade College (gracias Papi!!). Foi um meio sonho realizado, já que meu grande sonho era jogar no Japão. E assim, o novo capítulo do softbol na minha vida começou, junto com a experiência totalmente nova de viver em outro país.

Projeto Histórias - Samira TanakaA minha vida nos States foi de janeiro de 2011 a julho de 2014. Estudei e joguei pelo Miami Dade College e Nova Southeastern University. Me formei em Business Administration e hoje sou a administradora da minha própria escola de Soroban. Aprendi muuuito morando lá e acredito que cresci muito também, tanto na vida como no soft (até de tamanho dos lados kkk). Lá eu joguei em uma temporada mais jogos do que tinha jogado a minha vida inteira, finalmente aprendi inglês (que eu achava meio chato), fui campeã estadual da Flórida, participei de um Nationals, bati uma bola direto na tela que foi o mais perto do que seria o único homerun da minha vida (por enquanto, muahaha), me arrisquei na cozinha (pouco, mas foram tentativas memoráveis) e conheci pessoas incríveis! #thanksAmerica

Projeto Histórias - Samira TanakaEm 2012 aconteceu a minha primeira convocação pra seleção adulta. Uma surpresa e muito nervosismo! Jogaria pela primeira vez com grandes nomes do Softbol brasileiro. E desde então, continuo defendendo a camisa da seleção principal com muito orgulho e muito amor! Nesse período, participei de um World Cup, três Sul-Americanos, dois Pan-Americanos, um Mundial e um Jogos Pan-americanos (Toronto 2015).

Projeto Histórias - Samira TanakaDe lá pra cá, fortes emoções! Fomos campeãs sul-americanas, classificamos para os Jogos Pan-americanos de Toronto, do qual quase conquistamos uma medalha! Vivemos ótimos momentos na vila pan-americana com atletas de ponta de vários esportes e países. Participamos do Mundial no Canadá com apenas 12 atletas e fizemos muito bonito. Além disso, tive a honra de ser uma das capitãs no último Sul-americano que aconteceu em Aruba em 2018, no qual conquistamos o segundo lugar. Obrigada aos técnicos e colegas pela confiança.

Aceitar o desafio de integrar uma seleção brasileira também tem a ver com dedicação integral ao esporte. Já trocamos muitos feriados de festinhas, passeios e viagens pelas concentrações nos campos para treinamentos extensivos.

Projeto Histórias - Samira TanakaTentei não citar nomes, mas todos que percorreram esse caminho comigo são carinhosamente lembrados. Hoje, olho para trás e vejo que muitos já passaram pela minha vida, tanto no beisebol, como no softbol e me trouxeram muitos aprendizados e deixaram muitas lembranças. Isso realmente não tem preço! Sou imensamente grata a Deus por tudo que já vivi e por ainda poder desfrutar disso tudo como atleta.

Projeto Histórias - Samira TanakaQuero agradecer também a todos os técnicos pelos ensinamentos; à comissão de pais de todas as seleções, que sempre cuidaram e cuidam de tudo; aos clubes que me acolheram durante a caminhada; às minhas companheiras de time por todas as convivências memoráveis e a minha família, que nunca mediu esforços para que eu pudesse sempre praticar esse esporte que tanto amo!

Obrigada, BEISEBOL e SOFTBOL! Obrigada por me proporcionar muitas alegrias, aprendizados, oportunidades, amizades e experiências.

#GRATIDÃO

Galeria de Fotos:

(fotos: arquivo pessoal da atleta)