[Histórias] Mayra Sayumi Akamine

HIstórias - Sayumi AkamineOiee!

Meu nome é Mayra Sayumi Akamine, tenho 27 anos, moro em Maringá, mas jogo pelo Nikkey Marília desde 2015. Sou formada em engenharia de alimentos, mas não exerço e atualmente curso educação física. Trabalho na papelaria junto aos Correios dos meus pais. Eu também prático Crossfit e ano passado estava estagiando como coach no box da “Crossfit Maringá” onde treino e também faço pilates. Fui convidada pelo Samy pra escrever como foi a minha vida no softbol e algumas histórias que acho engraçadas.

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Tenho um pequeno problema chamado falta de memória, então não lembro direito das pessoas envolvidas, dos eventos ou da ordem cronológica que as coisas aconteceram (hahaha).

HIstórias - Sayumi AkamineMinhas primas já jogavam, elas treinavam na ACEMA (Associação Cultural e Esportiva de Maringá) e meu tio levou meu irmão pra jogar e como minha mãe precisava ajudar na cozinha ela me deixava pra brincar na terra e ficar vermelha dos pés a cabeça! Foi aí que os tios do soft me chamaram pra brincar com as outras crianças, eu tinha uns seis ou sete anos. Com o tempo, no t-bol, fui aprendendo a bater, arremessar e defender.

Segundo a dona Cecília (porque eu não lembro disso), minha mãe, no meu primeiro jogo no t-bol, ela não estava por perto e alguém avisou que eu estava com dor de barriga. Ela avisou minha tia e assim que ela chegou e ficou comigo, a dor de barriga passou. As pessoas que estavam lá acham que eu estava nervosa por ser meu primeiro jogo.

HIstórias - Sayumi AkamineQuando eu estava no mirim, lembro que o nosso time não era muito bom, mas a gente treinou bastante, tipo bastante mesmo, com o Gorosan e Nena de técnicos, corremos, batemos, levamos boladas (hahaha), treinamos peixinhos na lama e tudo mais. No infantil, a gente começou a ganhar alguns campeonatos. No júnior, juvenil e adulto o técnico era o tio Serginho, com quem a gente teve que correr muito, mas muito mesmo!!!

Quando a gente entrava de férias da escola, treinava todos os dias e os nossos lanches, cada uma levava uma coisa, pão, presunto, queijo, tomate, ketchup, maionese e a sanduicheira, daí cada uma fazia seu misto quente. Foi uma época bem gostosa.

HIstórias - Sayumi AkamineComecei jogando de outfielder (gaia) como todo mundo. Right fielder e depois fui para center fielder, mas como todo bom técnico no mirim, o Gorosan testou todas as meninas pra treinar de pitcher. Treinar de arremessadora era uma coisa, agora jogar era BEM diferente. Em um dos jogos ele me tirou de pitcher e falou uma coisa que nunca vou esquecer: “Sayumi, boston, não serve de pitcha! Vai pro shoto!” Hahaha e assim fui pra interbases e não saí mais. Só mudei quando fui para os Estados Unidos, onde joguei pelo Chipola College, como sado (terceira base).

HIstórias - Sayumi AkamineFui pro Chipola graças as meninas que foram antes, a Ninjja (Simone Suetsugo) e a Vivian Morimoto. Lembro que no meio do terceirão, em 2009, eu já tinha falado com a minha mãe que eu iria parar o soft, me concentrar nos estudos e se desse eu jogaria só pra brincar. Mas, no final daquele ano, recebi uma ligação da Vivian, ou da Ninjja, (uma das duas ou às duas haha) me perguntando se eu queria ir para os Estados Unidos, jogar por um College e receberia uma bolsa integral e uma passagem ida e volta por ano. Lembro que eu tava em casa e falei “espera um pouco deixa eu perguntar pra minha mãe”, nisso a minha mãe respondeu, “quando você vai ter outra oportunidade de ir pra fora com tudo pago? Vai!”. Resumindo, eu fui!

HIstórias - Sayumi AkamineA gente começou a correr atrás de toda a papelada, porque em janeiro eu iria embarcar. Fiz o visto e tinha sido aprovado, mas depois avisaram que a máquina do consulado tinha quebrado e não iria receber o meu passaporte a tempo de eu viajar. Então me falaram que já estaria tudo certo pra eu ir no meio do ano e eu teria meio ano livre. No finalzinho de janeiro, tem uma colônia de férias na ACEMA promovida pelas escolas japonesas de Maringá e pelo seinenkai que eu participava, eu estava ajudando nesse evento. Estava encarregada do banho das crianças, eu estava dando banho nas criancinhas até que uma amiga entrou nos dormitórios gritando meu nome e falando pra eu ir embora, porque eu iria para os Estados Unidos no dia seguinte!

HIstórias - Sayumi AkamineFiquei assustada e ela gritando comigo, mandando eu ir embora e que minha mãe tava me esperando, peguei minha mochila e fui embora pra casa fazer a mala, que já tava meio pronta, e só joguei tudo dentro dela. Fomos de carro pra São Paulo, eu, minha mãe, meu irmão e a tia Marta Siraishi (mãe da minha amiga). A tia Marta fez umas anotações pra eu não ficar perdida quando chegasse lá. Lembro que no primeiro tava escrito “Se quiser chorar, chore. Parou, respira fundo e vai para o próximo passo!”

Eu só me dei conta de que eu estava indo embora e sozinha quando fui pra sala de embarque, minha mãe me ligou e quando eu ouvi a voz dela comecei a chorar e não parei mais, só parei quando eu dormi.

HIstórias - Sayumi AkamineQuando cheguei, me falaram que eu não poderia jogar por ter chegado após as aulas terem começado, mas era pra eu ir acostumando com o ambiente. Por isso, ao invés de dois anos do Junior College, fiquei dois anos e meio. Justo nesse meio ano que não joguei, as meninas ganharam o campeonato estadual da Flórida, e sempre penso que ganhei o anel de Campeã Estadual de graça! No ano que comecei a jogar a Mrs. e o Mr. (como a gente chama a técnica e o técnico lá no Chipola) me colocaram de shortstop e uma menina que jogava de interbases no sado, mas ela estava errando bastante, então eles decidiram trocar e perguntaram se tinha algum problema, eu só avisei que nunca tinha jogado naquela posição antes. Mas, deu tudo certo e como muitos devem saber ainda não saí dessa posição.

HIstórias - Sayumi AkamineJá estou na seleção faz 10 anos. Minha primeira Seleção foi com o Katiam em 2010, em um Campeonato Pan-americano Sub-18, onde classificamos pela primeira vez para o Campeonato Mundial Sub-18, que aconteceu na África do Sul no final de 2011 e ficamos em 8º lugar. Em maio de 2012 voltei para o Brasil e fiz meio ano de cursinho. No mesmo ano fui convocada pra minha primeira seleção do adulto e pensei “vou participar só mais dessa seleção e vou parar pra me ficar nos estudos”, mas em 2013 teríamos o pré-Pan-americano, classificatória para os Jogos Pan-americanos de Toronto de 2015. Eu pensava “só mais essa seleção”, classificamos para os Jogos Pan-Americanos, daí pensei “bom, não vou mais parar”. Em 2014 ganhamos o Sul-americano na Colômbia.

HIstórias - Sayumi AkamineEm Toronto 2015, ganhamos contra Cuba e República Dominicana, e após o jogo contra Dominicana, veio uma moça falar comigo, pensei que era alguma entrevista, mas a mulher tirou uma papelada e começou a falar do teste anti-doping, fui escolhida e a Tiemi ficou comigo. Foi uma das piores experiências, ter que fazer xixi num potinho com a mulher olhando pra mim e depois perceber que não fez xixi suficiente e teria que fazer ainda mais depois! Mas, depois de todo o tumulto eu descobri que tinha sido MVP daquele jogo, e eu já nem lembrava mais da cara da mulher que ficou me olhando fazer xixi.

HIstórias - Sayumi AkamineEm 2016, tivemos um Sul-americano e um Mundial. Em 2017, foi o pré Pan-Americano, que foi o último campeonato das meninas “mais velhas”. Em 2018, a seleção teve muitas mudanças, não conhecia várias meninas mais novas, mas foi bem desafiador, pra mim, Samira Tanaka e a Barbara Woll que fomos apontadas como as capitãs dessa nova seleção, foi uma das mais marcantes, por todo o envolvimento das meninas e da comissão técnica.

HIstórias - Sayumi AkamineAno passado tivemos o pré-olímpico, o maior campeonato que já participamos. Depois veio o Sul-americano no Equador. O ano de 2019 foi bem cheio, pude receber dois prêmios importantes: o Prêmio Paulista de Esportes e o Prêmio Brasil Olímpico, podendo encher meus pais de orgulho e também ver que todo o esforço e força de vontade de não ter parado o soft antes, realmente valeu a pena!

HIstórias - Sayumi AkamineUma das coisas que sempre me perguntam é: “Você joga pra Marília, mas mora em Maringá?”. Pois é, isso acabou acontecendo em 2015, Maringá estava sem time de adulto, tinha algumas meninas mais novas, mas eram Sub-17 e algumas mães não deixaram elas jogarem no adulto, já que a diferença de idade e força eram bem diferentes. Então perguntei se não teria problema eu jogar para outro time, já que precisava estar jogando para poder participar da seleção. Comentei com a Samira sobre estar sem time e ela me convidou pra jogar por Marília. E foi assim! Treino em Marília uma semana antes dos campeonatos e nos outros finais de semana treino com as meninas de Maringá.

HIstórias - Sayumi AkamineCom o softbol tive vários técnicos, várias companheiras de time, várias “tias e tios” que sempre me ajudaram e aos quais queria muito agradecer!! Não dá para citar todos os nomes, pois são muitos, mas agradeço a todos por todo o conhecimento e carinho que tiveram comigo!

Sou muito grata ao softbol, por ter me proporcionado tantos aprendizados, tantas oportunidades, de viajar para lugares que nunca pensei em ir, oportunidade de aprender outra língua, de ganhar várias amigas e até mesmo irmãs, tias que passaram a ser mães, tios que viraram pais, e de perceber que o softbol me proporcionou outra família. Obrigada softbol!

Prêmio Brasil Olímpico 2019Por fim, sou muito grata a minha família, meus pais e até aos meus irmãos, que me aguentaram com as reclamações, me ajudaram a comprar as passagens, me levavam para os treinos e me apoiaram em todos os momentos! Muito obrigada! Arigatou!

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