Mariana Pereira

Projeto Histórias - Mariana RibeiroMeu nome é Mariana R. Pereira, tenho 21 anos, sou de Marília-SP, e atualmente moro em Daytona Beach-FL (EUA), e jogo pela escola Embry-Riddle Aeronautical Univerisity.

Comecei jogando Beisebol/Softbol aos cinco anos de idade quando meu melhor amigo “Jão” (21) me levou pra conhecer o campo do Nikkey Marília, e desde então não larguei mais. O intuito era de que meu irmão (Alexandre, 26) seguisse carreira no esporte, mas por causa da catequese que ele fazia na época ele abandonou os treinos e eu acabei ficando “sozinha”.

Projeto Histórias - Mariana RibeiroEu ia treinar praticamente todos os dias depois da escola e a cada dia me apaixonava mais. Como eu era a única menina no t-ball de Marília nessa época, havia alguns privilégios como: poder tomar banho antes de todo mundo, dormir sem ser na bagunça dos meninos, etc.

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Lembro que na minha primeira viagem (Araçatuba), eu tava tão nervosa que quase fiz xixi esperando os tios abrirem o alojamento, mas deu tudo certo e eu consegui segurar.  Lembro também que desde sempre a maioria das viagens a minha mãe não me acompanhava, e isso ate hoje é histórico porque era eu e o Jão inseparáveis pra cima e pra baixo aonde quer que fosse (arigatô Jão).

Projeto Histórias - Mariana RibeiroAcho que depois de dois anos jogando com os meninos eu fui pro Softbol e conheci a família que esta comigo ate hoje. São tantas historias, pessoas, lugares, memoráveis que fica difícil colocar em palavras, tentarei ser breve.

Último ano no t-ball, último campeonato com a Tia Márcia como técnica (em Cotia-SP), a gente numa emoção e vontade de ganhar, mas infelizmente o time de Nippon Blue Jays (as “inimigas” numero 1) conseguiu a vitória e foi uma choradeira interminável até chegarmos em Marília.

Projeto Histórias - Mariana RibeiroSegundo ano de mirim (2008?), final do Campeonato Brasileiro em Curitiba contra o time da casa (as “inimigas” também), o jogo na penalidade, eu joguei a bola pra segunda (jogava de catcher) quando uma das meninas correu, e acho que até hoje estão tentando achar a bola porque o arremesso foi tão errado que a menina marcou o ponto e a gente perdeu (ops).  A volta por cima foi no ano seguinte, quando em jogada parecida eu matei a menina na segunda (ufa)  e pela primeira vez fomos Campeãs Brasileira por um ponto de diferença  (5 x 4) contra Nippon Blue Jays (vingança pelo t-ball).

Projeto Histórias - Mariana RibeiroDo último de mirim até último ano de Junior foi a realização e superação de muito suor e trabalho pesado. Fomos bicampeãs brasileira infantil e Junior, sendo segundo ano de Junior subindo por índice dentro de casa porque perdemos de Gecebs; bicampeãs da Taça Brasil sendo called-game todos os jogos no meu segundo ano de infantil; e nessa época ainda fui convocada pra Seleção Brasileira pela primeira vez (Sul-americano Sub-17 , Venezuela), então foi uma das melhores fases.

Projeto Histórias - Mariana RibeiroJá com 16/17 anos todo mundo passa por aquele momento onde a escola é prioridade, você precisa escolher entre ir treinar ou estudar pra provas/vestibulares e comigo não foi diferente, tirando que honestamente eu sempre escolhia ir treinar, porque minha vida era/é softbol. Decidi que queria vir jogar nos EUA e mandei e-mail pra muitas escolas, mas nunca obtive resposta.

Projeto Histórias - Mariana RibeiroEntre os treinos de uma nova seleção (Sub-19) e estresse com segunda fase de vestibular, quando já havia desistido, eu recebi um e-mail do coach Byerley dizendo que ele me daria uma oportunidade em Northwest Florida State College (NWF). Obviamente não pensei duas vezes em aceitar e daí começou a correria das papeladas de visto, escola, o inglês, que até hoje é horrível, e assim todos os tipos de dor de cabeça e pensamentos negativos que alguém pode imaginar.

Projeto Histórias - Mariana RibeiroFelizmente tudo deu certo com os papéis e tudo mais. Malas prontas pra uma nova vida, eu não tinha ideia do que esperar e a partir do momento que pisei no meu apartamento e sentei na minha cama eu chorei por provavelmente três meses, e liguei pra minha mãe dizendo que queria desistir por mais uns quatro meses. Dois anos em NWF, dois anos aonde conheci pessoas maravilhosas, sofri os piores dias da minha vida (até então), chorei mais do que achei que poderia, mas que por causa disso e todos os perrengues eu me conheci e cresci como atleta e pessoa.

Projeto Histórias - Mariana Ribeiro“Formada” em NWF, mais uma vez as dores de cabeça voltaram para conseguir ir pra outra escola e de novo quando não tinha esperança alguma, recebo mensagem da Rock (Raquelli Bianco, cria do Central Glória no Brasil) dizendo que a escola dela estava interessada e eu obviamente “aceitei”. Faltando um dia pra viajar para República Dominicana com a seleção (iria direto pros EUA após o campeonato), eu simplesmente DESISTI.

Projeto Histórias - Mariana RibeiroConversei com minhas amigas de Marília, com minha mãe, liguei pra Vivian Morimoto (meu anjo da guarda), mandei mensagem pra Rock (anjo da guarda 2/roommate/assistant coach) e pra coach Kelsi, e tava decidida que não queria mais aquela vida dos dois anos anteriores. Fui para Dominicana e no último dia (mesmo) eu comprei minha passagem pra vir pros EUA.  Melhor decisão que tomei na vida.

Projeto Histórias - Mariana RibeiroAgora atuando pela Embry-Riddle, estou no meu último ano como jogadora e vou me formar em Administração.

A última coisa que queria deixar registrada é a mais importante:

Jamais conseguiria chegar onde estou hoje sem a ajuda de pessoas maravilhosas que sempre me fizeram continuar e sempre me apoiaram (sem citar nomes porque vou esquecer de alguém haha), sem minhas famílias (de sangue e a do Nikkey Marília) e sem TODOS que já, em algum dia, passaram pela minha vida deixando e/ou fazendo algo que me proporcionou tudo o que vivenciei e vivo.

Projeto Histórias - Mariana RibeiroDeus me enviou vários anjos da guarda que devem ter tanta ruga pelo estresse que eu causei, mas que serei eternamente grata. A todos os meus treinadores um enorme MUITO OBRIGADA, e pra aqueles que estão lendo essa “pequena” história, eu aconselho que sempre corram atrás daquilo que te faz feliz, porque tudo é impossível até que você tente. (fez sentido?).

“Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”. (Fernando Pessoa)

Galeria de Fotos:

(fotos: Arquivo pessoal atleta)