Marcia Mizushima

Projeto Histórias: Marcia MizushimaMeu nome é Marcia Akiko Miyahira Mizushima, sou casada há 17 anos e tenho dois filhos, Miwa de 16 anos e o Eiji de nove anos. Conheci meu marido, Alec Mizushima, nos campos de beisebol/softbol, a minha família e a dele são todos do meio.

Comecei a frequentar os campos de beisebol com seis anos, meu irmão, Fabio Miyahira, jogava no Toyota, então eu e minhas irmãs (Solange e Samanta) o acompanhávamos todos os finais de semana, mas eu queria jogar também, porém na época era muito difícil meninas jogar beisebol e também não havia softbol no Toyota, por isso ficava só de gandula nos treinos. Durante a semana quando o meu pai treinava meu irmão, em um parque em Santo André (onde morávamos), eu ia junto ajudar pegar as bolinhas, mas negociava com meu pai que só iria se eu pudesse fazer batting e knocking.

Projeto Histórias: Marcia MizushimaQuando tinha 11 anos, fomos jogar softbol no time do São Bernardo, ficamos mais ou menos de seis meses à um ano. Meu pai resolveu fundar um clube, o Santo André Beisebol e Softbol Clube, assim começamos a treinar e jogar pelo Santo André. Meu pai, Oswaldo Miyahira, era meu técnico e nós passamos por muitas dificuldades, pois não tínhamos campo para treinar. Houve um período de mais ou menos cinco anos que treinávamos em uma quadra de uma escola que a diretora nos deixou usar nos finais de semana, mesmo assim nunca desanimei.

Com 13 anos, em uma seleção regional adulta que fui convocada, nós iríamos jogar contra a seleção do Peru e essa oportunidade foi a minha primeira experiência jogando com uma equipe estrangeira. Joguei somente um inning, mas fiquei muito feliz, elas eram bem mais evoluídas que as brasileiras, as arremessadoras jogavam fazendo o movimento “molinete”.

Projeto Histórias: Marcia MizushimaQuando tinha 14 anos fui convocada pela primeira vez a seleção brasileira de Softbol categoria Junior, foi uma delícia vestir o uniforme da seleção, gostei tanto que a partir desse dia, meu objetivo foi sempre estar na seleção. Em 1994, fomos Campeãs Sul-americanas, pela primeira vez o Brasil havia ganhado um campeonato Sul-americano, eu recebi o troféu de melhor receptora, neste mesmo ano fui convocada para a seleção adulta, para disputar o Pan-americano de Softbol e foi uma experiência incrível.

Projeto Histórias: Marcia MizushimaJogamos contra a melhor jogadora de Soft da época, Lisa Fernandes, eu lembro que entrei pra bater e estava numa adrenalina tão grande que tomei um dead ball da americana e nem senti dor. Tudo foi muito intenso, muitas coisas que tivemos que nos adaptar durante a competição, como, por exemplo, jogar a noite. Alguns jogos começavam à meia noite, mas mesmo com tudo isso eu não me intimidei, até roubo de base eu realizei.

Projeto Histórias: Marcia MizushimaEm 1995, o Sul-americano Junior aconteceu em Curitiba, no Paraná, e fomos Bicampeãs. Fui premiada como 2° melhor rebatedora, jogava de receptora e left field, foi incrível jogar um campeonato em casa com muita torcida a nosso favor.

Projeto Histórias: Marcia MizushimaO ano de 1997 foi o mais especial, eu e minha irmã Solange Miyahira fomos para seleção juntas, iriamos disputar o Campeonato Pan-americano de Softbol na Colômbia. Ela era arremessadora e eu receptora, e no seu primeiro jogo ela levou um home run da canadense, a bola foi muito longe. Nesta seleção também joguei de outfielder, a catcher titular era a queridíssima Malu Kokubo. Não me importava em qual posição jogar, eu queria estar em campo independente da posição.

Projeto Histórias: Marcia MizushimaEm 2000 o time de Santo André não tinha mais equipe adulta, eu e minha amiga Cinthia Kudo, que era arremessadora, fomos jogar pelo Cooper Cotia, clube que nos recebeu muitíssimo bem, e que lá jogava minha amigona July Hirata (a capitã da seleção de 1994), um exemplo de atleta. Em fevereiro deste mesmo ano fui para o campeonato Sul-americano Adulto na Argentina, fomos vice-campeãs, perdemos somente para a Venezuela, a arremessadora delas era muito superior, mas eu já conseguia ver a evolução que a seleção Brasileira tinha conseguido em alguns anos. Neste mesmo ano dei uma pausa na vida de atleta, pois engravidei e casei, minha filha nasceu em maio de 2001.

Projeto Histórias: Marcia MizushimaEm 2002 voltei a treinar, após um treino de sábado a July veio falar comigo, dizendo que os Jogos Pan-americanos aconteceriam no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro em 2007. Ficamos muito empolgadas e prometemos uma para outra que iríamos juntas para o Pan 2007, quem perdesse pagaria um jantar para a outra. Desde então treinamos com esse objetivo, muito focadas.

Projeto Histórias: Marcia MizushimaEm 2005, consegui ser convocada para a seleção e participar novamente do Pan-americano de Softbol na Guatemala. Foi no mesmo estádio de 1994, mas agora os jogos noturnos não eram tão novidade para mim. Fizemos um jogo muito pegado com a Argentina, elas haviam evoluído muito, algumas haviam feito intercâmbio na Itália, foi muito notório a evolução delas, foi o melhor jogo que fizemos lá.

Projeto Histórias: Marcia MizushimaO processo para formar a seleção Pan 2007 foi bem longo, acho que foi um total de dois anos, eu a July e a Cinthia passamos pelas primeiras peneiras, foram os anos que mais treinei, foco total, treinava seis dias por semana de terça á sexta academia e Batting no CT Espaço Beisebol, nos finais de semana treinos em campo com a equipe toda, folgava só segunda feira.

Gostaria de aproveitar esse espaço para agradecer TODA minha família pai, mãe, esposo, sogro, sogra, irmãs e cunhadas, sem eles não conseguiria treinar, trabalhar e cuidar de minha filha. Eles foram fundamentais para eu conseguir realizar meu sonho, e mais feliz ainda que todos vibraram junto comigo.

Projeto Histórias: Marcia MizushimaEm 2006, pelo Coopercotia fui campeã da Taça Brasil, foi o único título nacional que conquistei em 17 anos de jogadora. No final deste ano fui indicada como Melhor Jogadora de Softbol pelo COB (Comitê Olímpico Brasileiro). Esse prêmio é entregue em uma cerimônia com todos os melhores atletas de todas as modalidades do Brasil, foi no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Avalio esse momento como o ápice da minha vida como jogadora.

Projeto Histórias: Marcia MizushimaA lista da convocação final saiu somente um mês antes dos Jogos do Pan 2007, fiquei muito triste, foi um sentimento muito estranho não sei como descrever. Sabíamos que quatro meninas seriam cortadas, mas quando nos deparamos com a ausência dos nomes delas na lista foi muito doido.

A July? Sim, ela me pagou um jantar, não estava o nome dela na lista havia lesionado o pé e foi cortada.

Além de conseguir ser convocada para os Jogos Pan Americano fui capitã da equipe, foi uma honra, e muita responsabilidade, agradeço a confiança do Sensei Higashi em mim.

Projeto Histórias: Marcia MizushimaNo Rio foi um pouco frustrante, porque não tivemos a quantidade de jogos como havíamos nos preparado, choveu muito com ventania e a estrutura do campo de Softbol não era muito boa, reduziram bem a quantidade de jogos.

Nossa estreia foi contra os Estados Unidos tive o privilégio de jogar contra as melhores jogadoras de Softbol, em 1994 a Lisa Fernandes e no Rio 2007 contra a Jennie Finch, duas jogadoras de gerações diferentes do Estados Unidos.

Projeto Histórias: Marcia MizushimaFiz meu jogo de despedida da seleção e da carreira em fevereiro de 2008 contra a equipe DENSO do Japão no estádio do Bom Retiro. Minha família foi em peso me assistir, pois somente eles sabiam que era o último, fizemos um ótimo jogo empatamos 1×1. Fazendo uma avaliação eu encerrei a minha carreira de jogadora com chave de ouro.

Então, me aposentei com 29 anos para engravidar do meu segundo filho, e não voltei mais a jogar competitivamente.

Projeto Histórias: Marcia MizushimaAproveitando esse mês de Maio gostaria de enfatizar a importância das mães na caminhada dos pequenos atletas que jogam beisebol e softbol, hoje eu estou presente nos campos, mas em outra posição: a de mãe.

Agradeço muito a minha mãe pelas várias viagens de ônibus para o Paraná e interior de São Paulo, ela sempre me acompanhou nos treinos da seleção e na volta fazia massagem nas minhas pernas doloridas dos treinos.

Projeto Histórias: Marcia MizushimaFeliz dia das mães para minhas amigas de soft que hoje são mães, e para todas outras que ajudam direta e indiretamente as equipes de Softbol do Brasil.

Um beijo especial para minha mãe Mari Miyahira um exemplo que mulher guerreira.

FELIZ DIAS DAS MÃES!!!

(Fotos: Arquivo pessoal Atleta)

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