Hitomi Watanabe

Meu nome é Kelly Hitomi Watanabe, sou filha de Mario Haruo Watanabe e Paula Watanabe, e estou praticando softbol a somente 32 anos, um esporte que tenho muita gratidão e me sinto muito honrada de fazer parte. Foi nele que aprendi, o respeito aos mais velhos, o significado de hierarquia, a importância da coletividade e, é claro, toda a técnica para jogar.

Sinto uma enorme gratidão por todos os meus técnicos, que foram muitos, mas em especial ao Sensei Shoki Yamamoto, onde tive a oportunidade de desfrutar de mais de 28 anos de aprendizado, companheirismo e muitos ensinamentos, que não foram apenas no esporte e sim para toda a minha vida.

Eu comecei no soft com oito anos de idade, junto com a minha irmã Jully Watanabe, no time Central, um clube sem sede, mas que as pessoas amavam, acreditavam e se dedicavam muito. Muita gratidão ao Sensei Mauro Kawano, Renato Yoshizumi e Sergio Nakashima.

Na época, a seleção do Sul do Paraná era composta por quatro times de Curitiba e era um selecionado muito forte. Participavam as jogadoras do Central, Nikkei, Gloria e Pinheiro. Viajávamos para muitas cidades do interior de São Paulo, como Guararapes, Mirandópolis e Presidente Prudente. Nessas cidades, o campeonato era muito aguardado e muitas vezes os jogos eram narrados nas rádios locais. Não recordo muito bem, mas ganhamos o Inter seleções algumas vezes.

Em 1994, fui convocada para a primeira seleção brasileira de softbol, fomos participar de um intercâmbio entre o Brasil e o Japão. A seleção foi comandada pelo sensei Goro Ogata e pelos auxiliares técnicos Jorge Tanaka, Shoki Yamamoto e Saitosan. Essa foi considerada, pelos dirigentes, a melhor viagem internacional do Soft.

Foi mais de seis meses de preparação, muito aprendizado. A viagem durou 20 dias, fiz grandes amizades que perduram até hoje e dos 13 jogos que disputamos, vencemos apenas dois. Mas valeu muito a pena.

Participei de muitos campeonatos, fui vice-campeã no Campeonato, de Maringá, foram muitas glorias e muito aprendizado. Sensei Shoki sempre foi muito persistente e rigoroso nos treinamentos e com isso fez com que nosso time conquistasse vários títulos brasileiros, como o Campeonato Brasileiro Juvenil, que aconteceu no Cooper Cotia.

Em 1997, veio o classificatório para o Campeonato Pan-americano, na Colômbia. Eu e a minha irmã, Elina Watanabe, participamos juntas nessa seleção. Neste selecionado, eu fui a vice-capitã e a Erica Matsumoto, minha querida amiga, foi a capitã. Foram vários jogos, mas até hoje ainda recordo da partida contra as donas da casa. O estádio estava lotado, jogamos a noite e quase ganhamos. Quando o jogo acabou fomos ovacionadas e muito reconhecidas. O sensei Melão ficou tão contente com o nosso desempenho que ganhamos um almoço em um restaurante brasileiro.

Tenho muitas saudades de minha amiga Malu Kokubo (em memória), ela sempre foi meu exemplo de dedicação, garra e alegria.

Ainda em 1997, o Central foi campeão Brasileiro Adulto, em Curitiba. Minha parceira de campo Dani Kuradomi bateu um home run contra Maringá. Senti muito orgulho da comissão organizadora e claro do sensei Shoki.

Em 1998, aconteceu uma fusão entre os times Central e Glória. Essa união fez com que agregássemos mais famílias e participantes ao clube. Uma parceria que deu muito certo e foi muito vitoriosa, continuamos sendo um time muito unido e respeitado.

Em toda minha carreira do soft, foram vários títulos e muitos vice-campeonatos para o forte time de Maringá.

A partir de 2006, o Central Glória começou a participar dos torneios mistos, mas eu nunca havia deixado de jogar. Na verdade, as jogadoras da minha época nunca deixaram de se encontrar e brincar de jogar soft. Descobri minhas duas gravidez no campo, jogando soft.  Fiquei impossibilitada de participar do campeonato de Ladies, mas mesmo quando estava amamentando eu dava um jeito e jogava.

O nosso grupo é o VQG, as vem quem gosta! (risos). O sensei Shoki sempre comentava, que não entendia o porque tanta ex-jogadora não levava os filhos para jogar. Ele sempre se questionava se isso se devia a maneira como o soft foi passado a elas, se em alguns casos o ensinamento tinha sido passado de maneira muito rígida, fazendo com que elas não amassem o esporte como o nosso grupo ama. Após algum tempo, os happy hour após os jogos fizeram com que gostassem ainda mais de ir para o campo e unir ainda mais as pessoas.

Em 2016, fui convidada a voltar a jogar na equipe adulta do Central Glória. Fazia muito tempo que não jogava com bola de couro e ainda por cima de interbases, mas com o apoio do sensei Shoki e da equipe maravilhosa e muito unida, nós domo vice-campeãs no Campeonato brasileiro daquele ano.

Foi um ano de conquistas e despedida. Eu agradeço todos os dias por ter me aceito e por me deixar estar presente no último campeonato da sua vida Sensei. Esse sempre foi o esporte que você tanto amava e dedicou durante muitos anos da sua vida, sempre apoiando suas atletas.

Atualmente eu estou atuando no time das Ladies, com o sensei Massatoshi Maruo, equipe composta por todas as atletas que crescemos jogando. Um timaço! Somo octacampeãs, no campeonato brasileiro de Londrina.

Além disso, eu ainda sou técnica a dois anos da equipe do Tbol do CG, onde me dedico com o maior prazer para que meus filhos consigam entender e aprender o amor pelo softbol, igual a mãe deles.

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