[Histórias] Roberta Suetugo

[Histórias] Roberta SuetugoOlá! Meu nome é Roberta Suetugo, muitas pessoas me conhecem como Beta, tenho 32 anos, sou médica oftalmologista, e hoje vou contar um pouquinho da época que joguei softbol.

Eu comecei a praticar softbol no clube Nikkei Curitiba aos 6 anos. Antes disso, eu praticava tênis de campo. Mas meus pais decidiram colocar eu e meus irmãos em um esporte coletivo principalmente para conviver com outras crianças. Com certeza foi a melhor coisa que fizeram para nós, porque aprendemos muito e fizemos muitas amizades nesse período.

No início haviam poucas meninas da minha idade no softbol, então acabei treinando um pouco também com o T-Ball dos meninos com meu irmão.

[Histórias] Roberta SuetugoDesde pequena fui treinada pelo sensei Milton Konno (Barão) que me ensinou toda a base do esporte.  Naquele tempo também comecei a dar meus primeiros arremessos. Muitas vezes eu achei que não ia dar conta de ser arremessadora por ter mais responsabilidade e ter que treinar muito mais que o necessário. Lembro que minha mãe levava eu e meu irmão no clube à tarde para treinar com o técnico cubano Jorge, a gente não ia com muita vontade, mas treinávamos direitinho. Com o tempo percebi que jogar como arremessadora foi muito importante para meu crescimento como atleta, em ter mais dedicação e compromisso com o time.

Além disso, treinei e joguei bastante com as meninas mais velhas, isso também me fez crescer muito.

[Histórias] Roberta SuetugoUma curiosidade dos primeiros anos que eu estava treinando softbol é quando joguei no time do Anhanguera no I Torneio Keizo Hayashi em Curitiba (1995) devido à falta de atletas. Eu joguei como centerfield, foi uma experiência diferente.

E uma lembrança feliz que eu tenho é quando recebi meu primeiro troféu aos 8 anos como melhor 3ª base. Naquele dia eu queria sair correndo para mostrar para meus pais. Meus pais sempre foram muito importantes durante a minha vida no softbol, pois se dedicaram muito em todas as atividades relacionadas ao clube e ao esporte. Como muitos sabem, geralmente minha mãe era a manager e meu pai era o juiz da minha categoria, então eles sempre estavam me acompanhando nos treinos e nas viagens.

Com a minha equipe Nikkei Curitiba fomos vice-campeãs brasileiras nos anos de 1998, 2000 e 2005, e campeãs brasileiras nos anos de 1999, 2002 e 2003.

[Histórias] Roberta SuetugoA primeira vez que ganhamos o Campeonato Brasileiro em 1999 na categoria mirim foi realmente muito gratificante e emocionante ver a alegria de todos, principalmente dos nossos técnicos e familiares. Foi nesse campeonato também que bati meu primeiro homerun.

Com certeza as conquistas a gente nunca esquece, mas são as derrotas que nos fazem repensar nossos erros e dificuldades, e nos levam a treinar cada vez mais para buscar nossos objetivos.

Aprendi muito com meus senseis: Barão, Keizo Hayashi, Tadashi Hamasaki, Sueri Konno, Wilson Hara, Marcelo Yokoo, Sidiomar Vieira, tio Maeda, Akio Hamasaki, Shoki Yamamoto, tio Akira, Dani Kuradomi, Simone Yamamoto, Mônica Sunahara. Além dos técnicos cubanos e muitas outras pessoas que nos ajudavam nos treinamentos.

[Histórias] Roberta SuetugoTambém tive a oportunidade de participar da Seleção Brasileira em 2002 e 2003 com o sensei Teruo Ariki. Eu aprendi muito treinando e jogando com a seleção. Às duas seleções foram ótimas, foram muitas viagens até São Paulo para o treinamento, os treinos eram puxados, mas a gente sempre se divertia. A seleção de 2003 foi inesquecível, nós nos dávamos muito bem, até fizemos um encontro das meninas depois de 8 anos.

[Histórias] Roberta SuetugoAcredito que 2003 foi o ano que mais me dediquei ao esporte, talvez porque eu sabia que nos anos seguintes eu não conseguiria me dedicar o suficiente devido aos estudos e ao vestibular. Naquele ano eu fiz academia para fortalecimento muscular e resistência, e ia mais cedo para o clube para fazer preparo físico antes do treino regular nos dias de semana. Foram dias difíceis e cansativos, mas que foram muito recompensadores, porque ganhamos o Campeonato Sul-americano com a seleção brasileira e também o Campeonato Brasileiro na categoria júnior com meu time Nikkei Curitiba.

[Histórias] Roberta SuetugoAlém disso, no fim do ano eu recebi uma notícia ótima, que realmente eu não esperava, na qual eu havia sido escolhida para receber o Prêmio Brasil Olímpico como melhor atleta do softbol de 2003. Esse prêmio só foi conquistado porque eu tive o apoio e dedicação das minhas amigas de time, dos meus senseis e da minha família, além de todas as pessoas que contribuíram para formação, construção e desenvolvimento do softbol no clube Nikkei Curitiba. No softbol nada se conquista sozinho, tudo vem como resultado de um trabalho em equipe.

[Histórias] Roberta SuetugoContinuei treinando e jogando firme em 2004 e 2005. Nos anos seguintes eu ainda joguei, mas treinava menos. Decidi parar de praticar softbol em 2010, quando já estava na faculdade de Medicina. Durante a residência médica em Oftalmologia na Universidade Estadual de Londrina, a Massumi – enfermeira do nosso setor – me convidou para jogar no time da família dela, a família Ishikawa, no torneio de Softbol Misto de Londrina em 2016. Eu não havia conseguido treinar praticamente nada, mas foi muito divertido e me senti como se fosse da família. Também fiquei feliz por reencontrar muitas pessoas conhecidas.

[Histórias] Roberta SuetugoAgora eu voltei a praticar tênis de campo. Mas eu nunca esqueço os anos que vivi no softbol, tudo foi marcante para mim. Hoje eu sei que o softbol não foi apenas um esporte na minha vida, mas também uma escola e uma família. Foi um tempo ótimo, porque eu praticava um esporte que eu gostava, eu encontrava com minhas amigas quase todos os dias, as nossas famílias se reuniam e nos acompanhavam nos treinos e nas viagens, as viagens para os torneios e campeonatos eram sempre uma diversão, conheci muitas pessoas queridas que fazem parte da minha até hoje e, além de tudo, aprendi muitas coisas que foram importantes para a minha vida pessoal e profissional.

[Histórias] Roberta SuetugoSão tantas lembranças boas: os lanchinhos do treino, os almoços de sábado, os aniversários no campo, as festinhas e comemorações, os passeios, as brincadeiras, os treinos na chuva, a alegria em cada viagem, os alojamentos, as jogadas surpreendentes, os jogos inesquecíveis… Na verdade, são essas pequenas memórias que nos fazem sentir muitas saudades da época que praticamos softbol. Com certeza formávamos uma grande família e hoje temos muitas histórias para contar.

[Histórias] Roberta SuetugoAgradeço de coração a todos que fizeram parte dessa história, especialmente minhas amigas de equipe – nos divertimos e nos dedicamos muito nos treinamentos, mesmo naqueles dias frios congelantes de Curitiba, e jogamos com determinação e garra –, e minha família que sempre me apoiou em todos os momentos.

Obrigada também ao Samy pela oportunidade de relembrar esse tempo tão bom da minha vida.

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