[Histórias] Paula Tsuru

[Histórias] Paula TsuruMeu nome é Paula Tsuru (ou para alguns: Poinha), 34 anos, atualmente moro em São Paulo, mas joguei há muito, muito tempo, atrás no Nikkei Curitiba, em grande parte do tempo como Center Field!

Fiquei surpresa com o convite do Samy, afinal, já faz mais de 15 anos que não sei o que é pisar em um campo de beisebol e  softbol. Mas, não tinha nem como recusar este convite, foram anos incríveis da minha vida, que me ensinaram muito e só deixaram boas lembranças!

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[Histórias] Paula TsuruMinha história no soft começou mais ou menos quando eu tinha uns sete anos, por convite da Roberta (Beta/Betinha) Suetugo. Nossos pais jogavam tênis juntos, a Beta já tinha começado a treinar e, certo dia, a tia Clarice (mãe da Beta) me convidou! Confesso que no começo eu odiava ir aos treinos, achava chato, tinha que acordar cedo, tinha que se mexer muito, no dia seguinte ficava com o corpo dolorido, e eu não conhecia ninguém além da Beta.

[Histórias] Paula TsuruEnfim, se fosse só por minha opção, eu teria desistido no primeiro mês! Mas, minha mãe me incentivava (para não falar que forçava rsrs) a continuar e pediu para que eu tentasse por pelo menos um ano! Aliás, acho que nunca falei para ela do quanto sou grata por ter me “forçado” a continuar no soft e por ter se dedicado tanto a mim e ao time. Ela, por uns bons anos, foi nossa manager e dedicou muitas horas na organização das viagens, das concentrações, dos eventos para arrecadação de dinheiro, no nosso lanche dos treinos e etc.

[Histórias] Paula TsuruEnfim, mal sabia eu que depois seriam uns bons anos dedicados ao soft. Pensando hoje, nem sei como a gente aguentava. Treinávamos praticamente todos os sábados e domingos (e na maioria deles, o dia inteiro), fora os treinos durante a semana! E quando o Campeonato Brasileiro se aproximava então? Tinha concentração, o ritmo de treinos ficava frenético, preparação física puxadíssima. E quando chegou a adolescência? A gente ia treinar “varada”, direto da balada (sério, como que a gente aguentava isso?).

[Histórias] Paula TsuruPor um bom tempo eu tive trauma de corrida, porque era o castigo que a gente recebia quando fazíamos bagunça no campo ou corpo mole! Era pelo menos uma hora correndo, dando voltas e voltas intermináveis no campo. Pelo menos esse trauma eu superei e hoje adoro correr por aí.

Tenho tantas lembranças dessa época. Uma das coisas mais bacanas do soft são as pessoas que frequentam este ambiente! Naquela época conheci muita gente, de vários times, várias cidades e eu adorava ir para os torneios/campeonatos, era uma oportunidade de nos encontrarmos, nos divertimos, conversarmos. Adorava também a época de férias, que eu sempre viajava para São Paulo, Londrina, Assaí, Presidente Prudente e encontrava o pessoal. Foi uma época muito, muito legal. Era churrasco, passeio no Santa Cruz, dança no fliperama do Lords, baladas japas (meu Deus, eu realmente estou muito velha hahaha).

[Histórias] Paula TsuruOutro dia estava fuçando as tranqueiras que deixei na casa dos meus pais e são diversas caixas com várias cartinhas que eu trocava com o pessoal dos outros times. Naquela época a internet ainda era discada, tínhamos que esperar até a meia-noite pra poder entrar no ICQ e passar a madrugada inteira “tcendo”, então uma alternativa que tínhamos era a troca de cartas. Os meus troféus individuais também estão guardados, não são lá muitos, mas não deixei minha mãe se livrar deles (mesmo porque são a prova de que um dia eu joguei soft, pois quando falo para as pessoas que eu era jogadora de soft, algumas – muitas – não acreditam hahaha).

[Histórias] Paula TsuruBom, o tempo vai passando e as prioridades vão mudando, então parei de treinar “sério” no ano de vestibular. Depois, quando já estava na faculdade, participei de um ou outro torneio de soft misto, joguei alguns poucos com o extinto Gohans (até encontrei o uniforme lá na casa dos meus pais também rsrs), e acredito que foi a última vez que coloquei um globo na mão…

Sobre os campeonatos, eram tantos sentimentos misturados. Eu sempre sentia frio na barriga na abertura dos campeonatos, quando fazíamos fila para cumprimentar o time adversário no início do jogo, antes de entrar para rebater a primeira vez. Nossa, e a comemoração que fazíamos a cada ponto marcado ou ponto defendido? Caramba, que sensações boas! Obviamente que também tínhamos nossas frustrações quando não ganhávamos o campeonato, era um chororô que não acabava. Mas eu entendo, era a dedicação de um ano inteiro!

[Histórias] Paula TsuruNosso time era um dos mais fortes na época, então a gente sempre ia para os campeonatos com altas expectativas, e às vezes (para não falar muitas), era bem difícil de lidar com a frustração. A gente treinava até morrer, pra chegar na final e, em grande parte das vezes, perder pro time de Maringá… kkkk na verdade, nosso problema era psicológico, uma começava a chorar no campo e quando ia ver estava o time inteiro chorando! E a gente apelava pra tudo, era numerologia pra ver qual número ideal pra colocar na camisa (tanto que desde quase sempre eu era o número 30 do Nikkei Curitiba), era uma tia ou outra que acendia vela no alojamento pra fazer reza (inclusive, uma vez o alojamento quase pegou fogo com a maldita vela… kkkkk lembro até hoje, foi em algum torneio em Guarulhos).

[Histórias] Paula TsuruEscrevendo este depoimento, assim como todas as outras meninas que contaram suas histórias, eu também não consigo imaginar a minha vida sem o soft! Muito do que sou hoje vem de toda a filosofia deste esporte. Não há como negar que seja um ótimo ambiente para o crescimento e formação de caráter das pessoas, te ensina o trabalho em grupo, a ter respeito ao próximo, a ter disciplina e dedicação, a ter garra, saber competir, mas também te faz aprender a lidar com derrotas e frustrações.

[Histórias] Paula TsuruEu, como toda “boa” jogadora de soft, carrego algumas cicatrizes nas pernas, mas também trago comigo a disciplina, foco e respeito, que são tão inerentes a este esporte! Trago também grandes amizades desta época!

Poderia escrever páginas e mais páginas a respeito…. Enfim, que época! Que saudade!

Obrigada, Samy, por ter me dado a oportunidade de reviver estas lembranças!

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