[Histórias] Danielle Emy Ishizawa

[Histórias] Danielle Emy IshizawaOlá! Eu sou a Danielle Emy Ishizawa, mas você pode me chamar de Dani ou de Djou. A convite do Softbol Brasil hoje vou compartilhar um pouco sobre a minha trajetória no Softbol.

Meu primo, Ossamu, sempre nos convidava para conhecer o Soft, explicava que era algo semelhante ao beisebol com algumas variáveis. Até que, no ano de 1993, eu e minha irmã resolvemos conhecer este esporte que ele tanto falava com brilho nos olhos pelo time que ele treinava na época: o Gecebs.

[Histórias] Danielle Emy IshizawaLembro que nosso primeiro treino foi em uma chácara, com piscina e que treinamos no campo de futebol gramado que tinha por lá. O Ossamu, ou Mu para os íntimos, já nos avisou que os treinos não eram sempre assim, que eram em campos de terra. Ok, quão diferente poderia ser, né? Sempre tivemos o incentivo dos nossos pais, eles que nos levavam para os treinos e torneios e também com os materiais que naquela época não eram tão fáceis de importar como hoje em dia.

[Histórias] Danielle Emy IshizawaCom os treinos no ambiente usual, voltar limpa era quase impossível. Principalmente porque muitas brincadeiras aconteciam durante o horário do almoço entre os treinos matinais e vespertinos. Hoje eu me pergunto: como conseguíamos treinar manhã toda, muitas vezes com treinos físicos, brincar de futebol, esconde-esconde na hora do almoço e depois treinar a tarde inteira também? Quanta jovialidade! E não à-toa, literalmente desmaiávamos no retorno para casa!

Logo de início, me treinaram para ser catcher porque precisávamos de mais uma pessoa que soubesse jogar nessa posição. Confesso que fiquei bastante aliviada em não ter me dado bem nessa posição! Por ser canhota e naquela época haviam poucas pitchers canhotas, treinei um pouco e também em outras posições como segunda, terceira e shortstop até me achar na primeira base.

[Histórias] Danielle Emy IshizawaNesse ambiente, aprendi o espirito de trabalho em equipe, que nem sempre se ganha, mas perder também nos ensinam lições. Conheci pessoas de outras cidades, tive oportunidade de viajar sem meus pais. Ah essas sim eram as aventuras! Além da minha irmã que também jogava no mesmo time, tenho mais um irmão e uma irmã menor e com isso nem sempre meus pais podiam nos acompanhar. E nessas horas, os adultos pais de outras meninas viravam nossos pais. Então posso dizer que tive “outras famílias” que zelavam e nos davam carinho. E quando viajávamos para cidades mais longes como Curitiba, Maringá; meus pais não me deixavam faltar na escola na segunda-feira seguinte a viagem. Eles diziam que meu comprometimento era tanto no esporte quanto nos estudos.

[Histórias] Danielle Emy IshizawaNo Gecebs tínhamos o espirito competitivo, quem não gosta de uma vitória né? Mas não era o que me movia. O sentimento e poder experienciar um ambiente de família, encontrar minhas amigas eram as coisas que mais me deixavam feliz e me faziam ansiar pelos finais de semana, por mais cansativos que eram!

Em 1998, por falta de meninas, o time de Softbol do Gecebs se juntou com o de Guarulhos devido à proximidade dos campos, na época ambos na cidade de Arujá. Nessa época, já tinha muitas amizades em diversos times e lembro que as meninas do Anhanguera me chamaram para jogar com elas. Mas, como meu transporte ainda dependia principalmente do meu pai e das caronas, Guarulhos foi minha segunda casa.

[Histórias] Danielle Emy IshizawaLembro que foi um pouco difícil me enturmar, as meninas eram mais competitivas e assim como a gente, jogavam e se conheciam a bastante tempo. Por isso que dizem “deem tempo ao tempo” e assim foi. Com alguns treinos, já estávamos enturmadas e os treinos se tornaram mais sérios e isso gerou frutos que sempre me recordo com orgulho: fomos campeãs brasileiras neste mesmo ano. Foi uma partida bem dura, principalmente porque choveu bastante no dia e tivemos que esperar o campo secar um pouco, então jogamos a noite. Achava o máximo jogar com os holofotes ligados, me sentia como na MLB!

[Histórias] Danielle Emy IshizawaGanhamos de virada contra Maringá no campo do Cooper. Lembro de entrar para bater e de como estava nervosa… E que bom que consegui um hit que nos deu o empate e também me colocou na base aumentando nossas chances. Os detalhes do jogo confesso que são bem vagos, mas lembro claramente que fomos campeãs! E essa vitória também me deu uma cicatriz no joelho. Na comemoração em uma churrascaria, entediadas após o jantar fomos a um shopping e sem noção alguma fomos brincar na escada rolante. Sim, que ideia de jirico! Nisso bati meu joelho e tive que encurtar a celebração para ir ao hospital e tomar uns pontos, meus primeiros pontos! Posso dizer que às duas cicatrizes que tenho, foram do softbol, por assim dizer. A outra que tenho foi por um carrinho errado em uma roubada de base e que sem ataduras ou gazes, improvisamos com absorvente! É, o softbol também te ensina ser criativo. A sorte é que a calça não rasgou e ajudou a segurar e esconder o “curativo”.

Na Copa do Mundo de 2002, fiz um protesto em casa em não assistir os jogos do Brasil. Porque não entendia como um país poderia apoiar um único esporte! Haviam tantos outros e tantas pessoas comprometidas, que davam seu suor, seu tempo, seu dinheiro para poder praticar. Hoje vejo que isso não é exclusivamente do esporte que escolhi praticar, mas de todos esportes diferentes ao futebol.

[Histórias] Danielle Emy IshizawaDepois do Guarulhos, minha outra e última casa como confederada foi no Anhanguera. Não me recordo o ano. Sim, minhas memórias são atemporais! Lá treinei um pouco de primeira base, mas me consolidei nas posições de outfield, mesclando entre as posições possíveis. Nessa época no ANC as preocupações já estavam na vida adulta, por assim dizer, então meu período jogando, com elas, foi mais curto, uns dois anos. Mas o suficiente para criar memórias e carinho que carrego até hoje! Ah e como eu ia treinar? Pegava carona com alguém, mesclando com metrô. Nessa época, já não ligava mais para o que as pessoas pensariam em me ver andando de chinelo Raider e meia toda suja de terra. Muito pelo contrário: me sentia orgulhosa em estar praticando o softbol!

[Histórias] Danielle Emy IshizawaCom o início da faculdade, acabei deixando de lado os finais de semana no campo. Nesse meio tempo participei de um misto que o pessoal do Gecebs organizou, a mesma turma que praticava quando iniciei o esporte. Se não me engano, joguei um jogo no primeiro misto e isso também me fez entender que o tempo passou. Em uma roubada de base, minha mente dizia para correr mais rápido, mas o corpo já não respondia à altura e acabei dando um peixinho sem querer! Ainda bem que cheguei na base, senão ia ser mais vergonhoso ainda! E com isso uma coisa que o Ossamu sempre dizia aos finais dos treinos: “alonguem! Porque quando tiverem minha idade, vão entender!”. E hoje mais do que nunca entendo! Será que ele ainda fala isso para as meninas que ele treina?

[Histórias] Danielle Emy IshizawaSão tantas memórias e tanto carinho por todos que daria para ficar escrevendo por horas e horas. Por isso finalizo por aqui agradecendo meus pais pela dedicação e pela oportunidade em poder vivenciar tudo isso. E também por aqueles que seja profissionalmente ou de qualquer outra maneira ajuda a  divulgar o esporte! E como mencionei, minha memória é falha então deixo aqui meus agradecimentos a Bruna e a Aldine por me auxiliarem com algumas datas e fatos.

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