[Coluna] Síndrome da dor miofascial

Você sabe qual o sintoma que mais leva as pessoas a buscarem por atendimento médico em todo o mundo? Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, é a dor músculo-esquelética aguda ou crônica (aquela de duração maior do que 3 a 6 meses). Entre essas dores, a Síndrome da Dor Miofascial (SDM) é a causa mais comum devendo sempre ser avaliada:

  1. Dor de cabeça: pessoas com dores orofaciais como cefaléias tensionais.
  2. Dor temporo-mandibular: dor na face.
  3. Dor no pescoço e coluna lombar: incluindo as dores pélvicas de origem desconhecida.

O que é a Síndrome da Dor Miofascial?

Se caracteriza pela presença de locais sensíveis e muito dolorosos em áreas musculares tensas e rígidas, que podem levar à dor em queimação e sensação de peso. A dor é profunda e mal localizada, sem aparente diagnóstico, pode provocar uma dor percebida à distância (em outro local, chamado de dor referida). É comum a percepção de uma contração muscular à palpação local. Podem estar presentes:

  • Diminuição da mobilidade e fraqueza (fenômenos motores).
  • Dormências e formigamento (fenômenos sensoriais).
  • Vertigens (fenômeno autonômico presente na dor orofacial).
  • Urgência urinária e desconforto ao urinar (fenômeno autonômico na dor pélvica)

A Ciência aponta… É uma das mais frequentes causas de dor nas costas e de dor no pescoço. Pesquisadores avaliaram que dos pacientes que referem dor crônica na cabeça e no pescoço (há mais de seis meses de duração), 55% tinham o diagnóstico primário de Síndrome da Dor Miofascial.

O que acontece com o seu corpo na Síndrome Miofascial? Na Síndrome, o músculo não trabalha com eficácia. A banda de tensão restringe o alongamento do músculo e, por isso, há limitação de movimento. Ocorre a fraqueza pela inibição muscular, assim como pelo encurtamento muscular. A coordenação é afetada bem como a inibição reflexa, a performance cai e há maior chance de fadiga e lesão. Frequentemente se relaciona com queixas de alterações do sono e do humor, depressão e ansiedade. Em casos de fibromialgia pode haver a coexistência de ambas as doenças.

Faixa de Risco

  • Mulheres e pessoas na faixa etária entre 31 e 50 anos
  • Em idades mais avançadas atinge principalmente homens
  • Aumenta a incidência com a idade
  • Alguns fatores influenciam como o estresse físico (bruxismo e má postura), estresses imunológico, hormonal, infeccioso e psicológico.

Causas da Síndrome Miofascial: As causas permanecem desconhecidas. Algumas hipóteses giram em torno de alterações estruturais, bem como a hipótese integrada que alia essas desordens estruturais a um fenômeno de sensibilização central que se caracteriza por disfunção na percepção da dor, na qual o cérebro passa a interpretar vários estímulos, inclusive os que não são dolorosos, como dor – daí o termo amplificação da dor.

Diagnóstico: Uma vez que são elementos centrais para o diagnóstico, os pontos-gatilho devem ser avaliados por um profissional de saúde especialista.

Importância de buscar tratamento adequado nas fases iniciais: O diagnóstico precoce, seguido de tratamento especializado e multidisciplinar são diferenciais para se evitar a cronicidade e a piora da dor. As estratégias de tratamento podem incluir fisioterapia, psicoterapia e tratamento farmacológico.

A curto prazo, é possível trabalhar diversas técnicas para inibir a banda tensa muscular. Mas geralmente, o processo de reabilitação é prolongado e depende da adesão do paciente. A longo prazo, a conduta não consiste apenas no tratamento dessa musculatura, mas na identificação e modificação dos fatores biopsicossociais, isso é, da parte de fatores físicos que podem estar ampliando a dor, mas também fatores sociais e emocionais.

Três Dicas para afastar a Síndrome Miofascial

  1. Exercícios Físicos: Afastar o sedentarismo da sua vida contribui não apenas para a melhora física, mas também psicológica e de bem-estar. Lembre-se que a dor crônica gera o medo de se movimentar, e isso se torna um ciclo vicioso de mais dor pela imobilidade. Procure por uma atividade física orientada por um educador físico.
  2. Controle do Estresse: Além das conhecidas dicas valiosas em relação à meditação, técnicas de respiração e terapia. Procure por atividades no dia a dia que te proporcionem prazer e auto- cuidado. Não vale usar a desculpa de fumar para controlar o estresse.
  3. Terapia Manual: A terapia manual consiste no uso de técnicas de massagem tecidual. As técnicas de liberação miofascial liberam o músculo e a fáscia e se baseiam na pressão manual sobre as fáscias musculares, liberando as restrições faciais. Fazer regularmente pode diminuir a chance de se tornar um problema crônico. Procure um fisioterapeuta para avaliar a necessidade desse tipo de atendimento.

Elaborado por:

Dra. Juliana Satake, Clínica LA POSTURE
Colaborador: Dra Renata Luri, PhD Unifesp e Clínica LA POSTURE

Originalmente publicado em: Viva Bem Uol

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(MOCHILÃO SOFTBOL BRASIL – EPISÓDIO 02)

Referências:

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