[Coluna] Tecnologia na Arbitragem: é um processo sem volta?

NFL NY CenterO uso da tecnologia no esporte não é novidade e vem sendo amplamente usada para a melhora na performance dos jogadores, seja por preparação físico/mental como por estatísticas e padrões de jogo. Em muitos esportes, o uso do vídeo vem sendo uma ferramenta tecnológica nova na arbitragem. A aplicação da tecnologia ainda não apresentou um padrão entre os esportes, porém quase todas as modalidades de grande visibilidade já vem criando experiências em ligas menores dos tais usos. E qual seria então a função do árbitro dentro do campo? Poderíamos chegar à ausência de árbitros dentro do circuito como acontece na Fórmula 1?

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Ao assistirmos os jogos de beisebol profissional americano, a MLB.TV, podemos notar o uso do vídeo criando a zona de strike por triangulação de câmeras com uma acuracidade em geral melhor que a humana. E por que ainda não se adota tal tecnologia para decidir se um arremesso é “ball” ou “strike”? Já há experiências sendo feita pelas própria MLB em ligas menores, como na Atlantic League, de robôs para “balls” e “strikes.

Outros esportes já utilizam o recurso do vídeo nas competições de alto rendimento, até mesmo em Olimpíadas. No Tênis, cada atleta tem um número de desafios que ao acertar, não perde a vez de um próximo desafio. E, assim como no Vôlei, já colocaram nas regras em que momentos é possível pedir o desafio do vídeo, de forma que a partida não perca a fluidez. No Futebol, o uso do VAR vem dividindo opiniões sobre sua utilidade, mas ninguém dúvida que seja uma mudança inexorável.

A questão é que precisamos saber como queremos utilizar tecnologia, como criar protocolos para que todas as categorias de cada esporte (crianças, adolescentes, adultos, masters) possam também aplicar em suas partidas.

Na Ginástica, o uso de vídeo é vital para avaliar as imperfeições dos movimentos dos atletas em questões de milissegundos. Na Fórmula 1, os tempos podem chegar a milésimos de segundos, imperceptíveis para o olho humano, mas facilmente captado por máquinas. Mesmo na imensa saudade de Ayrton Senna, que fez 25 anos a sua morte (eu estava no campo, claro), podemos lembrar das guerras de milésimos de segundos para vencer todo um campeonato.

É claro que tais exemplos não são amplamente aplicáveis em todos os locais do globo e/ou em todos os esportes. Primeiro porque o custo é um proibitivo à maioria das competições esportivas (um complexo sistema com participantes em níveis e estruturas diversas) e segundo porque ainda não avançamos nas regulamentações das interações dessa nova tecnologia em cada esporte.

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Os esportes que são menos dinâmicos, ou seja, apresentam paradas ao longo da partida como o Vôlei, Ginástica, Tênis, Futebol Americano etc., estão mais avançados no uso do vídeo (replay) como uma reivindicação da própria arbitragem em melhorar suas decisões. Os esportes mais dinâmicos cujo o objetivo é fazer que o jogo tenha o mínimo de paradas, não prejudicando o ritmo da partida e das equipes envolvidas, estão menos confortáveis.

O Futebol o uso do VAR tem sido decisivos em alguns campeonatos, o que eu considero positivo pois consertou no momento o que poderia ser uma injustiça. Porém, assim como no Basquete americano, a NBA, também precisam ser mais ágeis no uso do vídeo. Algumas paradas são superiores a 4 minutos, uma eternidade que pode inclusive mudar o ritmo da partida.

É preciso definir quantas vezes será permitido o desafio para cada equipe. Ou seria um pedido do árbitro que fez a decisão?

O Softbol (e acredito que o Beisebol também) se beneficiará do uso do vídeo. Ainda não temos definido, mas eu imagino uma bola com uma tinta especial que se conectaria ao passar pelo “plate”, com uma câmera atrás do pitcher e duas outras (linha da 1ª e 3ª Base) para observar a altura. Lembrando que a altura da zona de strike se altera para cada batedor. Esse ajuste faz necessário um olho humano para definir os limites e a máquina nos informar se foi um “strike” ou “ball”. O vídeo também ajudará a rever algumas batidas e swings, se não eram bolas mortas antes de uma jogada que se seguiu.

Entretanto, como um esporte onde o contato é inevitável entre as equipes adversárias, saber se o contato foi intencional ou um choque involuntário ainda precisa do discernimento humano. O próprio árbitro do lance se beneficiaria de poder rever o lance (eu imagino poder ver novamente o mesmo lances em vários ângulos e um deles ser o que o próprio árbitro viu (algo no chapéu), compondo o quebra cabeça novamente se foi um lance muito apertado e crucial na partida.

Merchan retangulo okEu imagino como acontece na NFL e na MLB, com árbitros dentro e fora do campo, como um time para que o mais justo seja aplicado. Assim como no Boxe, seriam os árbitros (chamaríamos assim) responsáveis pela condução da luta, mantendo o confronto limpo e aberto e os juízes (os que dão as notas), que seriam os responsáveis em supervisionar os aspectos onde as máquinas darão as decisões.

A tecnologia na arbitragem trará mais benefícios ao esporte. Os erros humanos serão diminuídos e os humanos poderão se concentrar no que são melhores, que é interpretar a jogada e adequar à regra. O fator humano não desaparece, pelo contrário, nossa capacidade de aprender e ensinar nos fará conduzir o jogo de forma pacífica, justa e educativa. Sempre um lado sai derrotado, é um local onde emoções estão em disputa. O que precisamos é saber como queremos o que queremos com o uso das novas tecnologias. Cada esporte deverá avaliar a especificidades, disponibilidade, facilidade, confiabilidade de cada implementação para melhor uso da tecnologia.

Fontes:

https://www.bu.edu/today/2019/mlb-umpires-strike-zone-accuracy/

https://www.forbes.com/sites/robertkuenster/2019/04/18/mlb-instituting-an-electronic-strike-zone-will-not-eliminate-controversial-calls/

https://www.sportingnews.com/us/mlb/news/mlb-to-test-robot-umpires-move-mound-back-in-atlantic-rule-changes-players-union/1wu2n541rki7l1aw56nolyucdq

 

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