[Coluna] Como a regra influencia na preparação da equipe?

Projeto Histórias – Patrícia Hamamoto (Temporada 2017-2018)

O calendário de 2019 está começando e agradeço ao Softbol Brasil por ter nos proposto essa série de colunas sobre o nosso esporte. Eu vou falar sobre alguns aspectos das regras, o quê, para muitos, será uma quebra de paradigmas (os famosos “mitos”) e em itens que será possível planejar melhor o time sabendo usá-las. A coluna desta semana esclarece um dos pontos que mais eu recebo perguntas, mesmo de técnicos experientes: Jogador Designado, “Flex” e o “OPO”.

O termo “Jogador Designado – JD”, diferente do beisebol que é “Batedor Designado” (DH – Designated Hiter), é utilizado desde 2010 e introduziu uma mudança substancial nas possibilidades do jogo: o “JD” é um jogador abridor (que começa a partida jogando), que inicialmente está apenas no ataque (um dos 9 no line-up) e pode entrar na Defesa tanto pelo jogador por qual bate (o “Flex”) como por outro defensor, sendo esse considerado como “OPO” ou “Offensive Player Only”, Jogador Apenas da Ofensiva. Para complicar um pouco, o “Flex”, que inicialmente apenas joga na defesa (pois o JD bate por ele), pode ir ao ataque (como batedor ou corredor) porém apenas no lugar do JD no line-up.

Um exemplo: Maria é arremessadora (F1) e também joga de Primeira Base (F3), Camila é boa batedora e também é arremessadora (F1) e a Flavia é boa batedora e joga de Primeira base (F3). Seria interessante começar o jogo com a Flavia de 4ª batedora e F3, a Camila de 5ª batedora e “JD” e a Maria “Flex” (10ª line-up) como F1 (arremessadora). Ao longo do jogo, é possível que Camila entre para arremessar e Maria vá para a F3, tornando Flavia “OPO”. Dessa forma, toda essa alteração é considerada apenas troca de defesa, pois não houve alteração no line-up, e consequentemente, não queima as substituições de cada jogador. Camila e Maria podem se alternar indefinidamente no “pitcher’s plate” pois em nenhum momento estas jogadoras saem da partida.

No Campeonato Mundial de Chiba, onde os Estados Unidos venceram o Japão por 7 a 6, em 10 innings, ambas as equipes fizeram o uso de boas batedoras que também são arremessadoras (Fujita e Garcia), o que fortalecia o ataque e ainda permitia o uso de tais jogadoras como arremessadoras. Fujita inclusive bateu homerun no 6º inning empatando a partida naquele momento.

Nos jogos de softbol masculino, ainda evita-se expor um bom arremessador aos arremessos do time oposto, mas um jogador como o argentino Huemul Mata, irmão do lendário Lucas Mata, é utilizado muitas vezes nessa posição na seleção argentina, 5º colocado no ranking mundial.

A alteração dessa regra aumentou as possibilidades para os técnicos, ainda permitindo o uso clássico do batedor designado e o arremessador que não bate. Ela também reflete na necessidade que nossos esportes (beisebol e Softbol) precisam enxugar os “roaster” (delegação) para continuar nos grandes eventos esportivos, como a Olimpíada (escrevo esse texto já sabendo que esse foi um dos pontos cruciais para que ficássemos de fora novamente das Olimpíadas, almejando a volta mais provável em Los Angeles 2028).

Nos últimos campeonatos internacionais, o número de atletas permitidos vem diminuindo: já chegou a ser 18, porém deve-se estabilizar com 15 jogadores mais corpo técnico nos próximos anos. Isso força com que os jogadores sejam preparados não apenas para especialização, mas para diversificação das habilidades a ser utilizadas ao longo do jogo, ou em uma longa sequência de partidas, como acontece em diversos campeonatos internacionais.

Alguns amantes exclusivos do beisebol podem pensar que esse ponto pode nunca mudar para o beisebol, porém não é bem assim. Na busca para manter o jogo dinâmico e para diminuir o custo com roaster numerosos, algumas mudanças que a WBSC (World Baseball Softball Confederation) já vêm sido adotadas para Softbol estão sendo seriamente estudadas pelo esporte-irmão, como, por exemplo, o relógio de 20 segundos entre arremessos (forçando o batedor a permanecer pelo menos com um pé dentro do batter´s box), diminuição de 9 para 7 o número de innings em todas categorias exceto Adulto e o uso de “Bolas Intencionais ao batedor”, evitando que seja jogado 4 bolas de forma claramente não direcionada ao Strike Zone. O Softbol também aprende e absorve da experiência do beisebol.

Um arremessador pode continuar a treinar a bater, assim como a todos os jogadores serem capazes de jogarem em outras posições. Espero ajuda-los nesse início de temporada a planejar treinamentos para habilidades diversas pois a regra exalta essa qualidade!

Nos próximos falarei sobre alguns mitos que ainda podem estar na cabeça de algum amante do Softbol, como fazer uma apelação de forma apropriada e concessões de bases.

Um abraço!

Um comentário

  1. Pat. excelente tema, muito obrigado!!!!!

    No exemplo que você deixou, segue duas dúvidas.

    1) Como fica o line-up para essas 3 atletas?

    Ord Nome
    1 …
    2 …
    3 …
    4 Flavia (F3 OPO)
    5 Camila (JD)
    ….
    ….
    10 Maria (F1 Flex)

    2) Como o técnico anuncia a mudança de posições?

    Obrigado pela atenção.

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