[Coluna] PLAY LIKE A GIRL

Fezao - Arquivo pessoal

Meninas, estudantes, profissionais, mães, mulheres e, neste texto especificamente, o substantivo feminino ATLETAS.

A maioria de nós jogadoras cresceu no campo de beisebol e softbol, de chuteira e boné, na terra, sempre sujas e com algum(s) machucado(s) – e até hoje mostramos nossas cicatrizes, hematomas e ralados como se fossem troféus, com uma bela história para contar. Aprendemos a ser corajosas e a nos superar, aprendemos a confiar nas outras meninas do nosso time e como juntas temos mais força. Coragem. Superação. União.

Além do gosto doce das vitórias, com o passar dos anos também entendemos o valor das derrotas e, em meio às lágrimas e o sabor amargo da decepção, como isso nos impulsiona a treinar mais e a se dedicar mais – a lutar sempre. Cair, erguer a cabeça, continuar e melhorar. Resiliência.

Tiemi - Seleção Brasileira de Softbol

Esse esporte também nos trouxe, de forma muito natural, uma virtude tão valorizada no mundo atual. Compreender que sua amiga em campo pode não estar em um dia bom, ou que ela possui suas limitações, mas isso não quer dizer que ela não esteja se esforçando ao máximo pelo time. Empatia.

O softbol, assim como outros esportes em equipe, mostra desde cedo aquelas que possuem o dom da liderança e aquelas que, com o passar do tempo, desenvolvem essa competência, seja pela necessidade ou pelo próprio amadurecimento. Nelas são depositadas mais responsabilidades e cobranças, e precisam aprender rapidamente a lidar com as atletas do time, com os técnicos, às vezes com a diretoria do clube. Tudo ao mesmo tempo. Flexibilidade. Liderança.

Samira - Raquel Luzia Fotografia

As capitãs, por sua vez, compreendem que não é possível carregar tudo isso sozinhas e acabam formando uma rede de apoio. Aquelas meninas “ponta firme” de confiança, a quem aprendem também a delegar e não centralizar. Nesse meio tempo descobrimos outros talentos como: pessoas que lidam com as finanças, aquelas que organizam eventos e viagens, aquelas que articulam melhor os grupos. Networking. Delegar. Reconhecer habilidades.

Ainda hoje há quem associe conquistas esportivas à masculinidade, uma vez que remete à força, resistência, competição. Pois nossas atletas demonstraram isso e muito mais nos Campeonatos Sul-Americanos de 2018.

Mari Ribeiro - Arquivo pessoal

Nossa seleção sub-18 comprovou toda sua potência e sagrou-se bicampeã sem perder um único jogo. A seleção sub-15, após perder duas vezes para o time Peru Vermelho na fase classificatória, conseguiu dominar o nervosismo e se ajustar para então devolver as derrotas para o mesmo time, justamente na semifinal e final, e subir ao pódio pela 4ª vez consecutiva. Por fim, na última sexta-feira (02) a seleção adulta lutou bravamente até a 9ª entrada, quando acabou caindo para as venezuelanas, após mais de 2h de aula de softbol, grandes jogadas e muita garra e dedicação. Sim, perderam, mas com a cabeça erguida e dando a todos nós brasileiros que acompanhamos, um sentimento enorme de orgulho e a certeza de que essa seleção renovada colherá belos frutos no futuro.

Hitomi - ASAUSA

E ainda há quem diga que somos o “sexo frágil”, que somos fracas, sentimentais demais…

Pelo exposto acima vejo somente que todas essas virtudes, competências e luta nos fazem prontas para conquistar espaços, liderar e vencer.

“Empieza el matriarcado!”

Projeto Histórias - Ayumi Shiroma

(Fotos: Raquel Luzia Fotografia/Facebook Seleção brasileira de Softbol/Arquivo pessoal jogadoras)

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